Terça-feira, Junho 06, 2006

PortugalDiário acompanha todo o percurso


Notícia no PortugalDiário - 6 de Junho, autora: Marta Sofia Ferreira
O PortugalDiário vai acompanhar todo o percurso.


Já o sol queimava quando começou a pedalada, às 10 da manhã, em frente à Câmara Municipal do Porto. O destino? Lisboa. E o que leva João Freire a fazer tão longa jornada de bicicleta? Protestar contra os atrasos no pagamento da bolsa de investigação.

«Estou há três meses sem receber bolsa e desde Dezembro que não recebo ajudas de custo. No total, estão a dever-me 4200 euros», conta ao PortugalDiário João Freire, o bolseiro que está a desenvolver um projecto sobre o modelo de crescimento do pinheiro manso e a produção de pinhas.

A bolsa é dada pela Estação Florestal Nacional, «mas a responsabilidade não é da Estação, que tem feito todos os possíveis para resolver a situação. Os culpados são os superiores: o IFADAP (Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e das Pescas) e o INIAP (Instituto Nacional de Investigação Agrária e das Pescas)», explica o bolseiro.

Foi por «altura do Carnaval», que começou a perceber «que não tinha dinheiro para a gasolina» e começou a fazer o percurso entre casa e o trabalho (São Marcos e Oeiras) de bicicleta.

Foram muitas as vezes que tentou resolver os problemas junto dos dois institutos e, há cerca de um mês, escreveu mesmo uma carta ao ministro da Agricultura. Recebeu um e-mail em resposta, assegurando que «as coisas seriam resolvidas rapidamente».

Junho chegou e como a solução parecia não estar sequer encaminhada, João decidiu aproveitar o seu período de férias, pegar no seu transporte de todos os dias e percorrer o país de norte a sul em protesto.

«O objectivo é fazer o protesto numa semana, passando pelos três centros de investigação: Porto, Aveiro e Lisboa», explica ao PortugalDiário João Freire.

A primeira etapa da jornada já cumpriu: esta segunda-feira percorreu 85 quilómetros e chegou a Aveiro. Foram quatro horas a pedalar, com «algumas pausas por causa do calor». Vai ficar numa residencial porque a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica, que apoia o protesto, «vai pagar as despesas».

Quanto a comida, «vou parando em supermercados para comprar uns iogurtes. Não há dinheiro para mais», confidencia ao PortugalDiário.

Para terça-feira, o destino é São Pedro de Moel, onde vai ficar num parque de campismo. A partida está marcada para as sete da manhã, «para tentar apanhar as horas de menos calor».

«Se tudo correr bem, espero chegar a Lisboa na sexta-feira. Quero estar à porta do Ministério da Agricultura pelas 17 horas», diz o «bolseiro ciclista».