Terça-feira, Junho 06, 2006

A pedalar em protesto durante 300 quilómetros

A Marta Sofia Ferreira, jornalista do PortugalDiário vai acompanhar diariamente o protesto sobre rodas. Reproduzimos aquí um excerto do artigo de hoje. Mas recomendo que visitem o site e leiam aí os comentários colocados pelos leitores após cada artigo diário.

Mais 115 quilómetros percorridos. João Freire chegou «cansado» a São Pedro de Moel, depois de mais seis horas de pedalada em protesto contra os atrasos no pagamento da sua bolsa de investigação.
Saiu de Aveiro às 7:15 horas, para escapar ao sol, mas não teve sorte: «Apanhei muito calor e vento de frente, o que dificultou o percurso», diz ao PortugalDiário, com uma voz que revela o cansaço que já se apoderou do bolseiro no segundo dia de viagem.
Para lutar contra a fadiga e o calor, foi fazendo algumas paragens. A dieta continua a mesma: iogurtes, «porque o dinheiro não dá para mais». Mas, para ganhar forças, hoje decidiu «abrir os cordões à bolsa» e comeu uma sopa.
Quando chegou a São Pedro de Moel, o destino desta terça-feira, teve uma surpresa desagradável: o parque de campismo onde ia pernoitar está fechado. «Vou dormir no relento, num pinhal, no saco-cama que trouxe», diz.
(...) Até agora, já pedalou durante 10 horas no total, quatro na segunda-feira e seis hoje, e já percorreu 200 quilómetros.
«Todas as bolsas em atraso vão ser pagas até dia 21 de Junho», garante ao PortugalDiário fonte do Ministério da Agricultura, que acrescenta que os atrasos nos pagamentos se deveram «a problemas técnicos, informáticos». «Isso são desculpas de mau pagador», desabafa João Freire ao PortugalDiário. «É uma questão de gestão das bolsas. Com o bolseiro concorda a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC). «O problema vai além de questões técnicas. Tem a ver com manuseamento e planeamento de verbas. É um problema que, se não for resolvido agora, vai originar a repetição da situação que os bolseiros vivem agora», diz ao PD André Levy, dirigente da ABIC. [Leia todo o artigo aquí]